Ventosaterapia Deslizante (Moving Cupping): Uma Abordagem Dinâmica para Dor e Tensão Muscular
- Dr. Sergio Akira Horita

- 30 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

Dando continuidade à exploração da ventosaterapia como ferramenta clínica, este artigo foca na Ventosaterapia Deslizante, também conhecida como moving cupping. Diferente da técnica fixa, esta modalidade envolve o movimento do copo sobre a pele, combinando a pressão negativa da sucção com os efeitos mecânicos da massagem.Esta abordagem dinâmica é particularmente eficaz para tratar áreas musculares maiores e liberar restrições fasciais, sendo um recurso valioso na fisiatria e na medicina do esporte.
Indicações Clínicas
A ventosaterapia deslizante é indicada principalmente para condições que se beneficiam de uma abordagem mais ampla e de mobilização tecidual. Seus mecanismos de ação incluem a liberação de aderências entre as camadas da fáscia, o aumento do fluxo sanguíneo e linfático em uma área mais extensa e a redução da rigidez muscular generalizada.
As principais indicações são:
Tensão Muscular Difusa: Ideal para grandes grupos musculares, como os paravertebrais (costas), isquiotibiais e quadríceps.
Restrições Miofasciais: A técnica é excelente para "soltar" o tecido conjuntivo, melhorando a flexibilidade e a amplitude de movimento.
Melhora da Circulação Linfática: O movimento de deslizamento ajuda na drenagem de fluidos e metabólitos, podendo auxiliar na redução de edemas leves e na recuperação muscular.
Fibromialgia: Pode ser usada para aliviar a dor e a sensibilidade generalizada, com uma abordagem mais suave e abrangente que a técnica fixa.
Prevenção e Tratamento de Dores Musculares de Início Tardio (DOMS): Em atletas, a aplicação após o exercício intenso pode acelerar a recuperação.
Modo de Uso: Técnica de Aplicação
A execução correta da ventosaterapia deslizante exige precisão e sensibilidade.
1. Preparação:
Lubrificação: Este é o passo crucial que diferencia a técnica. Aplique uma quantidade generosa de óleo de massagem, creme neutro ou gel condutor na área a ser tratada para permitir que o copo deslize sem causar atrito excessivo.
Higienização: Limpe a pele e utilize materiais devidamente esterilizados.
2. Aplicação do Vácuo:
Posicione o copo de acrílico ou silicone na extremidade da área de tratamento.
Crie uma sucção leve a moderada. A pressão negativa deve ser suficiente para prender o copo à pele, mas permitir o deslizamento sem causar dor significativa. Uma sucção muito forte impedirá o movimento.
3. Técnica de Deslizamento:
Mova o copo de forma lenta e contínua sobre a área muscular. O movimento pode ser linear (seguindo as fibras musculares), em ziguezague ou circular, dependendo do objetivo terapêutico.
Mantenha um ritmo constante e monitore a resposta da pele e o conforto do paciente.
4. Duração e Finalização:
O tratamento por região dura geralmente de 5 a 10 minutos. A pele ficará hiperemiada (vermelha) ao longo do trajeto do copo.
Para finalizar, remova o vácuo e limpe o excesso de lubrificante da pele do paciente.
Contraindicações
As contraindicações são semelhantes às da ventosaterapia fixa:
Absolutas:
Sobre pele com feridas, acne ativa, eczema, psoríase ou infecções.
Pacientes com tromboflebite, trombose venosa profunda ou distúrbios de coagulação graves.
Diretamente sobre artérias, veias ou nervos superficiais.
Neoplasias (tumores).
Região abdominal, lombar e seios em gestantes.
Precauções
Teste de Alergia: Se estiver usando um óleo com componentes ativos, realize um teste de contato em uma pequena área da pele antes da aplicação completa.
Pele Sensível: Em pacientes com pele sensível ou em áreas com pouco tecido subcutâneo, use sucção mínima e monitore de perto para evitar abrasões.
Pilosidade: Áreas com muitos pelos podem dificultar a manutenção do vácuo e o deslizamento. A tricotomia (raspagem) pode ser necessária, embora óleos mais densos possam ajudar.
Possíveis Efeitos Adversos
Os efeitos da técnica deslizante são tipicamente mais difusos do que os da técnica fixa.
Eritema (Vermelhidão): É o efeito mais comum, formando estrias ao longo do caminho do copo. É uma resposta normal e esperada.
Petéquias: Pequenos pontos avermelhados podem surgir, indicando extravasamento capilar superficial. São menos intensos que a equimose da ventosaterapia fixa.
Irritação Cutânea ou Foliculite: Pode ocorrer devido ao atrito ou a uma reação ao lubrificante.
Dor ou Sensibilidade: Desconforto durante ou após a sessão, geralmente devido à sucção excessiva ou técnica inadequada.
Manejo dos Efeitos Adversos
Eritema e Petéquias: Informe o paciente que são reações normais e temporárias, que desaparecem em poucos dias.
Irritação Cutânea: Mantenha a área limpa e seca após o tratamento. Suspenda o uso se a irritação persistir e considere um lubrificante hipoalergênico em sessões futuras.
Dor: Geralmente se resolve espontaneamente. Se necessário, podem ser usadas compressas frias por 10-15 minutos para aliviar o desconforto agudo.
Conclusão
A ventosaterapia deslizante é uma modalidade terapêutica dinâmica e versátil, que expande as aplicações da técnica tradicional. Ao combinar sucção com massagem, oferece uma abordagem eficaz para o tratamento de tensões musculares difusas e restrições miofasciais, sendo uma excelente ferramenta no arsenal do médico fisiatra e do reabilitador.
Referências Bibliográficas
LOWE, Daniel T. The Complete Guide to Modern Cupping Therapy: Your Step-by-Step Source for Vacuum Treatments. Berkeley, CA: North Atlantic Books, 2017.
MEHTA, P.; DHAPTE, V. Cupping therapy: A prudent remedy for a plethora of medical ailments. Journal of Traditional and Complementary Medicine, v. 7, n. 4, p. 436-439, 2017.
CHEATHAM, S. W. et al. The effects of instrument assisted soft tissue mobilization: a systematic review. The Journal of the Canadian Chiropractic Association, v. 60, n. 3, p. 200-211, 2016. (Nota: Esta referência sobre mobilização de tecidos moles por instrumentos é mecanicamente análoga aos efeitos da ventosaterapia deslizante).



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