Manejo de Efeitos Adversos: O Protocolo de Atuação Profissional na Ventosaterapia
- Dr. Sergio Akira Horita

- 31 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Uma prática clínica de excelência não se define apenas pelo sucesso dos tratamentos, mas pela competência em manejar as intercorrências. Embora a ventosaterapia, quando bem indicada e executada, seja um procedimento seguro, efeitos adversos podem ocorrer. Estar preparado para identificá-los, manejá-los e, principalmente, preveni-los é o que diferencia um profissional.
Este artigo apresenta um protocolo claro de atuação para os efeitos adversos mais comuns, transformando a teoria em ação prática e segura.
1. Equimose e Hematoma ("As Marcas Roxas")
Este é o efeito mais comum, sendo uma consequência esperada do procedimento. No entanto, seu manejo adequado envolve principalmente a educação do paciente.
O que é: Extravasamento de sangue dos capilares para o espaço intersticial, causado pela sucção. Não é um hematoma traumático.
Protocolo de Atuação:
Educação Preventiva: Antes da sessão, explique ao paciente que as marcas são uma reação normal e esperada, indicando a mobilização de fluidos e sangue na área.
Orientação Pós-Procedimento: Informe que as marcas geralmente desaparecem em 5 a 10 dias, mudando de coloração (de roxo para verde e amarelo), semelhante a um hematoma.
Cuidados: Recomende hidratação e evite exercícios intensos na área tratada no mesmo dia. A aplicação tópica de cremes à base de arnica pode ser sugerida para acelerar a resolução, embora a evidência seja variável.
Prevenção: A intensidade e duração da sucção devem ser ajustadas à condição do paciente. Em idosos ou pessoas de pele muito clara, menor tempo e sucção minimizam a intensidade das marcas.
2. Bolhas (Flictenas)
A formação de bolhas é um sinal de alerta. Indica que a sucção foi excessiva ou o tempo de aplicação foi muito longo para a tolerância daquela pele.
O que é: Separação da epiderme da derme, com acúmulo de fluido seroso.
Protocolo de Atuação:
NÃO ROMPER A BOLHA: A integridade da bolha é a melhor proteção contra infecções.
Limpeza: Realize a assepsia cuidadosa da área ao redor com clorexidina aquosa.
Curativo: Aplique um curativo estéril e não aderente para proteger a bolha de atritos.
Orientação ao Paciente: Instrua o paciente a manter o local limpo e seco e a observar sinais de infecção (vermelhidão que se expande, calor, pus, febre). Agende um acompanhamento.
Prevenção: Monitorar a pele constantemente durante a aplicação. Utilizar sucção moderada e tempos mais curtos em áreas de pele fina (face interna do braço, por exemplo) ou em pacientes de risco (idosos, diabéticos).
3. Dor Excessiva durante o Procedimento
Um leve desconforto pode ser normal, mas dor aguda não é.
Protocolo de Atuação:
Interrupção Imediata: Libere a pressão do copo imediatamente.
Comunicação: Pergunte ao paciente sobre a natureza da dor.
Reavaliação: Inspecione a área em busca de irritação e ajuste o plano de tratamento (reduza a sucção, mude a posição do copo ou interrompa naquela área).
Prevenção: Manter comunicação constante com o paciente. Iniciar com sucção leve e aumentar gradualmente até o nível terapêutico confortável.
4. Tontura, Náusea ou Síncope Vasovagal
Esta é uma reação do sistema nervoso autônomo, mais comum em pacientes ansiosos, em primeira sessão, ou quando o procedimento é feito com o paciente sentado.
Protocolo de Atuação:
Remover Todos os Copos Imediatamente.
Posicionamento: Deite o paciente em decúbito dorsal (barriga para cima) e eleve suas pernas para facilitar o retorno venoso ao cérebro.
Acolhimento: Tranquilize o paciente, ofereça água e monitore sua recuperação.
Prevenção: Realizar o tratamento com o paciente deitado e em posição confortável. Garantir um ambiente calmo, explicar o procedimento para reduzir a ansiedade e certificar-se de que o paciente esteja hidratado e não em jejum prolongado.
5. Infecção Pós-Procedimento
O risco é praticamente exclusivo da ventosaterapia com sangria (Wet Cupping) e está diretamente ligado à falha na técnica asséptica.
Protocolo de Atuação: A infecção pós-procedimento é uma complicação médica que exige diagnóstico e, frequentemente, tratamento com antibióticos. O paciente deve ser orientado a procurar atendimento médico imediato se notar sinais de infecção.
Prevenção: A prevenção é a única abordagem aceitável.
Utilizar técnica asséptica rigorosa: luvas, antissepsia da pele, lâminas estéreis de uso único e descarte apropriado.
Usar copos descartáveis ou garantir a esterilização adequada dos copos reutilizáveis.
Fornecer instruções claras de cuidado pós-procedimento para o paciente.
Conclusão: Preparo é a Melhor Resposta
A capacidade de manejar efeitos adversos com calma e competência é um diferencial que inspira confiança. Um profissional preparado não apenas sabe o que fazer quando uma intercorrência surge, mas, mais importante, sabe como agir para que ela nem chegue a acontecer.
Referências Bibliográficas
AL-BEDAH, Abdullah et al. The medical perspective of cupping therapy: Effects and mechanisms of action. Journal of Traditional and Complementary Medicine, v. 9, n. 2, p. 90-97, 2019.
CAO, H. et al. An updated review of the efficacy of cupping therapy. PLoS One, v. 7, n. 2, e31793, 2012.
KIM, S. et al. Is cupping therapy safe? An overview of systematic reviews. BMJ Open, v. 8, n. 11, e023235, 2018.



Comentários