Contraindicações Absolutas: Quando a Ventosaterapia NUNCA Deve Ser Realizada
- Dr. Sergio Akira Horita

- 30 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A ventosaterapia é uma ferramenta terapêutica valiosa quando indicada e aplicada corretamente. No entanto, sua segurança depende de uma premissa fundamental: o conhecimento profundo das situações em que o procedimento pode causar danos significativos, superando em muito qualquer potencial benefício. A identificação dessas "bandeiras vermelhas" é um pilar da prática médica responsável.
Este artigo detalha as contraindicações absolutas da ventosaterapia, ou seja, as condições e cenários em que a técnica é estritamente proibida.
1. Comprometimento da Integridade da Pele
A base da ventosaterapia é a aplicação de sucção sobre a pele. Se a barreira cutânea estiver comprometida, o procedimento pode agravar a condição, causar dor intensa ou facilitar a entrada de patógenos.
Feridas Abertas, Cortes e Abrasões: A sucção pode impedir a cicatrização, aumentar o sangramento e introduzir bactérias na lesão.
Infecções Cutâneas Ativas: Aplicar ventosas sobre áreas com infecção bacteriana (como celulite ou impetigo), fúngica ou viral (como herpes ativa) pode disseminar a infecção para áreas adjacentes ou para a corrente sanguínea.
Dermatites Inflamatórias Agudas: Em casos de eczema agudo, psoríase em placa instável ou dermatite de contato, a sucção agravaria a inflamação, a dor e o prurido.
Queimaduras: Incluindo queimaduras solares recentes. A pele está em um estado inflamatório agudo e extremamente sensível.
2. Condições Vasculares e Hematológicas Graves
A manipulação do fluxo sanguíneo local é um dos principais mecanismos da ventosaterapia. Em pacientes com distúrbios vasculares ou de coagulação, isso pode ser extremamente perigoso.
Trombose Venosa Profunda (TVP) e Tromboflebite: A aplicação de pressão (positiva ou negativa) sobre uma área com um trombo pode, teoricamente, deslocá-lo, resultando em uma embolia pulmonar, um evento potencialmente fatal.
Distúrbios Hemorrágicos Graves: Em pacientes com hemofilia ou outras coagulopatias, o risco de sangramento incontrolável e hematomas extensos é proibitivo, mesmo na técnica seca.
Varizes Calibrosas ou Tortuosas: A aplicação direta sobre veias varicosas pode causar dor intensa e, em casos raros, a ruptura do vaso.
3. Pacientes com Câncer Ativo
A aplicação de ventosaterapia em pacientes com neoplasia ativa é contraindicada por duas razões principais:
Sobre a Área do Tumor: A ventosaterapia não deve ser aplicada diretamente sobre um tumor primário ou uma metástase conhecida. O aumento do fluxo sanguíneo local e a manipulação tecidual são teoricamente desaconselhados.
Fragilidade Sistêmica: Pacientes em tratamento oncológico (quimioterapia, radioterapia) podem apresentar fragilidade capilar, plaquetopenia (baixo número de plaquetas) e imunossupressão, aumentando o risco de hematomas, infecções e outras complicações.
4. Condições Sistêmicas Descompensadas
Insuficiência Orgânica Grave: Pacientes com insuficiência cardíaca, renal ou hepática descompensada não devem ser submetidos ao procedimento, pois as alterações hemodinâmicas induzidas pela ventosaterapia podem sobrecarregar um sistema já debilitado.
Febre Alta ou Convulsões: A ventosaterapia não deve ser aplicada em pacientes com febre de origem desconhecida ou em estado convulsivo. A prioridade é diagnosticar e tratar a condição de base.
5. Populações Especiais e Áreas Específicas
Gestantes: A aplicação de ventosas sobre a região abdominal e lombar é absolutamente contraindicada durante a gestação.
Áreas Anatômicas de Risco: As ventosas não devem ser aplicadas diretamente sobre os olhos, grandes vasos sanguíneos superficiais (como a artéria carótida ou a veia jugular no pescoço) ou sobre hérnias abdominais ou inguinais.
Conclusão
Conhecer as contraindicações absolutas não é uma formalidade, mas sim o alicerce da segurança do paciente. A presença de qualquer uma das condições listadas acima torna os riscos da ventosaterapia inaceitáveis. A avaliação criteriosa por um profissional de saúde qualificado, especialmente um médico, é a única forma de garantir que este procedimento terapêutico seja utilizado apenas quando for seguro e apropriado.
Referências Bibliográficas
AL-BEDAH, Abdullah et al. The medical perspective of cupping therapy: Effects and mechanisms of action. Journal of Traditional and Complementary Medicine, v. 9, n. 2, p. 90-97, 2019.
CAO, H. et al. An updated review of the efficacy of cupping therapy. PLoS One, v. 7, n. 2, e31793, 2012.



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