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Além do "Pode ou Não Pode": Contraindicações Relativas e Precauções na Ventosaterapia

  • Foto do escritor: Dr. Sergio Akira Horita
    Dr. Sergio Akira Horita
  • 30 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura
Avaliação clínica de um médico fisiatra examinando a pele de um paciente idoso, representando a importância das precauções e da adaptação da ventosaterapia em casos de contraindicações relativas

No universo da prática médica, as decisões raramente são binárias. Enquanto as contraindicações absolutas representam um claro "sinal vermelho", existe uma vasta zona cinzenta: as contraindicações relativas. Estas são situações em que a ventosaterapia não é estritamente proibida, mas exige uma análise de risco-benefício, precauções especiais e, acima de tudo, um profundo conhecimento técnico por parte do médico.

Abordar estas nuances é fundamental para uma prática segura e personalizada. Este artigo detalha as principais contraindicações relativas e os protocolos de adaptação necessários.


1. Pacientes em Uso de Anticoagulantes ou Antiagregantes Plaquetários

Pacientes que utilizam medicamentos como Varfarina, Rivaroxabana, AAS (Aspirina) ou Clopidogrel apresentam um risco aumentado de desenvolver hematomas (equimoses) extensos e sangramento.

Risco: Formação de grandes hematomas, desconforto prolongado e, no caso da ventosaterapia com sangria (Wet Cupping), risco de sangramento de difícil controle.

Protocolo de Precaução:

  • A ventosaterapia com sangria (Wet Cupping) é absolutamente contraindicada.

  • Optar pela ventosaterapia seca (fixa).

  • Utilizar pressão de sucção significativamente reduzida.

  • Reduzir o tempo de permanência dos copos (ex: 3-5 minutos no máximo).

  • Evitar a técnica deslizante, que pode gerar maior estresse nos capilares.

  • Comunicar claramente ao paciente sobre a maior probabilidade de surgirem marcas roxas.


2. Diabetes Mellitus

Mesmo em pacientes com a doença controlada, o diabetes pode cursar com alterações que exigem atenção.

Risco: A neuropatia diabética pode reduzir a sensibilidade do paciente, fazendo com que ele não perceba uma sucção excessiva, o que pode levar a bolhas ou lesões. Além disso, a cicatrização pode ser mais lenta e o risco de infecção, aumentado.

Protocolo de Precaução:

  • Realizar um exame físico minucioso da sensibilidade e da integridade da pele antes do procedimento.

  • Aplicar sucção leve e monitorar a pele constantemente.

  • Confiar mais na observação clínica da reação da pele do que no feedback de dor do paciente.

  • Garantir uma assepsia rigorosa da pele antes e após o procedimento.


3. Idosos e Pacientes com Fragilidade Capilar/Cutânea (Dermatoporose)

Com o envelhecimento, a pele se torna mais fina, menos elástica e os capilares, mais frágeis (uma condição conhecida como dermatoporose).

Risco: Alto risco de formação de bolhas, hematomas dolorosos e até mesmo lacerações na pele com uma sucção padrão.

Protocolo de Precaução:

  • Utilizar pressão de sucção mínima, apenas o suficiente para aderir o copo.

  • Manter os copos por um tempo muito curto (1-3 minutos).

  • Se for usar a técnica deslizante, aplicar uma camada generosa de óleo para minimizar o atrito.

  • Observar a reação da pele em tempo real.


4. Hipertensão Arterial

A ventosaterapia pode causar respostas do sistema nervoso autônomo, levando a variações transitórias na pressão arterial.

Risco: Em pacientes com hipertensão mal controlada, o procedimento pode, teoricamente, induzir picos pressóricos.

Protocolo de Precaução:

  • Proceder apenas se a pressão arterial do paciente estiver em níveis controlados no dia do tratamento.

  • Monitorar o paciente durante a sessão, observando sinais de tontura, sudorese ou mal-estar.

  • Manter um ambiente calmo e relaxante.


5. Pacientes com Ansiedade Severa ou Fobia (Ex: Fobia de Dor)

A aparência das marcas roxas e a sensação de sucção podem ser gatilhos de ansiedade para alguns indivíduos.

Protocolo de Precaução:

  • Explicar cada passo do procedimento antes e durante a aplicação.

  • Começar com um único copo e sucção muito leve para que o paciente se familiarize com a sensação.

  • Manter uma comunicação constante, perguntando sobre o nível de conforto.

  • Focar em técnicas de relaxamento durante a sessão.


Conclusão: A Arte da Adaptação Médica

As contraindicações relativas não são um impedimento, mas sim um convite à excelência clínica. Elas exigem que o médico vá além do protocolo padrão, utilizando seu conhecimento para adaptar, ajustar e monitorar. É a capacidade de navegar nessas complexidades que define uma prática de ventosaterapia verdadeiramente segura, eficaz e centrada no paciente.


Referências Bibliográficas:

  1. LEE, M.S. et al. Is cupping an effective treatment? An overview of systematic reviews. J Acupunct Meridian Stud. 2011 Mar;4(1):1-4. doi: 10.1016/S2005-2901(11)60001-0. PMID: 21440874.

  2. ABOUSHANAB, T. S.; ALSANAD, S. Cupping Therapy: An Overview from a Modern Medicine Perspective. Journal of Acupuncture and Meridian Studies, v. 11, n. 3, p. 83-87, 2018.

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