Sialorreia - considerações iniciais



Aspectos anatômicos e fisiológicos


A saliva é produzida e secretada por seis glândulas salivares principais (duas parótidas, duas submandibulares e duas sublinguais) e várias centenas de glândulas salivares menores. As principais glândulas salivares produzem cerca de 90% da produção total de saliva, que gira em torno de 1,5L diária.


Figura 1. Glândulas salivares principais. Imagem adaptada de: https://www.anatomiadocorpo.com/sistema-digestivo/boca/glandulas-salivares/


Em uma situação convencional, 70% da saliva produzida é secretada pelas glândulas submandibular e sublingual. Entretanto, em situações nas quais há aumento da produção salivar, as glândulas parótidas assumem a preponderância na produção da saliva.

As funções da saliva incluem a limpeza mecânica da boca, a manutenção da homeostase oral, o controle do pH oral (nível de acidez da boca), a ação bacteriostática e bactericida (contribuindo para a melhora na saúde bucal e para a diminuição do odor oral), a lubrificação do bolo alimentar, e a digestão do bolo alimentar (pela atuação da amilase).

O sistema nervoso parassimpático inerva as glândulas parótidas, submandibulares e sublinguais com fibras que se originam na ponte e medula, e fazem sinapses nos gânglios óticos e submandibulares. As fibras pós-ganglionares do gânglio ótico fornecem função secretora para a glândula parótida, e as fibras do gânglio submandibular fornecem função secretora para as glândulas submandibular e sublingual. O fluxo de saliva é intensificado pela inervação simpática, que promove a contração das fibras musculares ao redor dos dutos salivares.


Definição e considerações iniciais


A sialorréia é o termo médico para a presença da salivação excessiva que ocorre quando ocorre o extravasamento da saliva além da margem do lábio.

Essa condição é normal em bebês, mas geralmente cessa por volta dos 15 a 18 meses de idade. Quando há a presença da sialorreia após os quatro anos de idade, ela é considerada, via de regra, patológica.

As consequências físicas e psicossociais da sialorréia variam de sintomas leves e inconvenientes a problemas graves que podem ter um impacto negativo e significativo na qualidade de vida da pessoa que apresenta este problema de saúde.

As complicações físicas incluem rachadura perioral e maceração com infecção secundária, desidratação e odor fétido. As complicações psicossociais incluem isolamento, barreiras à educação (como a incapacidade de compartilhar livros ou teclados de computador) e maior dependência e necessidade de cuidado.


Etiologia (causas da sialorréia)


A sialorreia geralmente é causada por disfunção neuromuscular, hipersecreção, disfunção sensorial ou disfunção anatômica.

A causa mais comum é a disfunção neuromuscular. Em crianças, retardo mental e paralisia cerebral são as doenças mais comumente associadas; em adultos, a doença de Parkinson é a etiologia mais comum. Outras doenças neurológicas, como a paralisia pseudobulbar, paralisia bulbar e acidente vascular cerebral são causas menos comuns.


Disfunção neuromuscular

Retardo mental

Paralisia cerebral

Doença de Parkinson

Paralisia pseudobulbar

Paralisia bulbar

Acidente Vascular Encefálico

Aumento da secração

Inflamação (dentição, cáries dentárias, infecção da cavidade oral, raiva)

Efeitos adversos de medicamentos (ex.: ansiolíticos e anticonvulsivantes)

Refluxo gastroesofágico

Exposição tóxica (vapor de mercúrio)

Alteração anatômica

Macroglossia

Incompetência oral

Má oclusão dentária

Problemas ortodônticos

Sequelas de cirurgias de cabeça e pescoço


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Referência bibliográfica:

Hockstein NG, Samadi DS, Gendron K, Handler SD. Sialorrhea: A Management Challenge. Am Fam Physician 2004;69:2628-34

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