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Segurança em Auriculoterapia: Contraindicações e Precauções Essenciais

  • Foto do escritor: Dr. Sergio Akira Horita
    Dr. Sergio Akira Horita
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Close-up de um profissional de saúde realizando a antissepsia do pavilhão auricular de um paciente com algodão e álcool 70%, demonstrando o cuidado com a biossegurança na auriculoterapia

Na prática clínica, a máxima primum non nocere (primeiro, não prejudicar) é o alicerce de qualquer intervenção. Na auriculoterapia, embora seja uma técnica minimamente invasiva e com um perfil de segurança elevado, a adesão a protocolos rigorosos de precaução e o conhecimento das contraindicações são indispensáveis para garantir a integridade e o bem-estar do paciente.Este artigo técnico, fundamentado em revisões sistemáticas e protocolos de saúde, detalha as contraindicações e as precauções que todo profissional deve dominar.


Contraindicações da Auriculoterapia

As contraindicações podem ser divididas em absolutas (quando o procedimento não deve ser realizado) e relativas (quando deve ser realizado com cautela e avaliação criteriosa).

  • Lesões no Pavilhão Auricular: É contraindicado aplicar qualquer estímulo sobre áreas com feridas abertas, cortes, queimaduras, eczema, ou qualquer tipo de dermatite ativa. A revisão sistemática da PubMed sobre eventos adversos reforça que a aplicação em pele não íntegra é um fator de risco primário para infecções.

  • Gravidez (Relativa e Específica): A maioria dos protocolos, incluindo o da Prefeitura de Ribeirão Preto, contraindica com cautela a auriculoterapia em gestantes, especialmente o uso de pontos que podem induzir contrações uterinas, como os pontos Pélvis, Útero e Endócrino. A recomendação geral é evitar o procedimento em gestações de risco e, em gestações saudáveis, proceder apenas com o consentimento do obstetra e evitando os pontos abortivos.

  • Pacientes com Fadiga Extrema ou Fome: Não se deve realizar o procedimento em pacientes extremamente debilitados, famintos ou em estado de exaustão, pois o risco de reações neurovegetativas, como tontura ou lipotimia (desmaio), é aumentado.


Precauções e Cuidados Mandatórios: A Base para a Segurança

  • A maioria dos eventos adversos em auriculoterapia, que vão desde dor local a infecções graves como a pericondrite, são evitáveis com a aplicação de cuidados rigorosos.2.1. Assepsia e Antissepsia: A Barreira Contra InfecçõesA revisão sistemática da PubMed e o artigo sobre os riscos da terapia prolongada são enfáticos: a causa principal de infecções graves (pericondrite e condrite) é a falha na assepsia.

  • Procedimento Correto:

    • Higienização das Mãos: O profissional deve lavar as mãos adequadamente antes de qualquer contato com o paciente.

    • Antissepsia do Pavilhão Auricular: A orelha do paciente deve ser rigorosamente limpa com álcool 70% antes da aplicação, garantindo a remoção de oleosidade e microrganismos.

    • Ambiente Limpo: Todo o ambiente de trabalho deve seguir as normas de biossegurança.


Utilização de Materiais Descartáveis

  • Agulhas: Devem ser sempre estéreis e de uso único. Após a aplicação, devem ser descartadas imediatamente em um coletor de perfurocortantes (caixa Descarpack). A reutilização de agulhas é uma falha grave e uma via direta para a transmissão de doenças.

  • Sementes e Esferas: Embora não perfurem a pele, devem ser de boa procedência e aplicadas com pinças devidamente esterilizadas. Os adesivos devem ser hipoalergênicos.


Monitoramento e Orientações ao Paciente

A segurança do paciente continua mesmo após a sessão.

  • Eventos Adversos Comuns: A dor local no ponto de aplicação é o evento adverso mais comum. Tontura, náusea ou sonolência podem ocorrer e geralmente são transitórios. O profissional deve estar preparado para manejar essas situações.

  • Orientação Pós-procedimento: O paciente deve ser claramente instruído a:

    • Manter a área dos pontos limpa e seca.

    • Observar sinais de infecção (vermelhidão excessiva, inchaço, calor, dor persistente ou secreção) e, caso ocorram, remover o material imediatamente e contatar o profissional.

    • Não coçar ou manipular excessivamente os pontos.


Conclusão

A auriculoterapia é uma ferramenta terapêutica poderosa e segura quando praticada com responsabilidade e rigor técnico. O conhecimento profundo das contraindicações e a aplicação meticulosa das precauções de assepsia e uso de materiais adequados são o que separam uma prática de excelência de uma prática de risco. A segurança não é uma etapa do processo; ela é o processo.


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Referências Bibliográficas

TAN, J. S. Y.; MOLASSRIOTIS, A.; WANG, T. Adverse Events of Auricular Therapy: A Systematic Review. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2014, Article ID 506758, 2014.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Centro de Ciências da Saúde. Guia de auriculoterapia para dor crônica baseado em evidências. Florianópolis, SC: UFSC, 2023.

VON MAUR, E.; JUNG, C.; SCHULTE, D. Risks and Safety of Extended Auricular Therapy. Medical Acupuncture, v. 32, n. 3, p. 156-162, 2020.

WEINER, R. S. Auricular Acupuncture. In: Pain Management. [S.l.]: ScienceDirect, 2011.

PREFEITURA MUNICIPAL DE RIBEIRÃO PRETO. Secretaria Municipal da Saúde. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular. Ribeirão Preto, SP, 2022.

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