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Protocolo de Acupuntura para Náusea e Vômito Pós-Quimioterapia

  • Foto do escritor: Dr. Sergio Akira Horita
    Dr. Sergio Akira Horita
  • 11 de nov.
  • 3 min de leitura
Aplicação do protocolo de acupuntura em paciente oncológico, com foco no ponto PC6 no antebraço, para o manejo da náusea e vômito induzidos por quimioterapia (NVIQ).

O manejo da Náusea e Vômito Induzidos por Quimioterapia (NVIQ) é um pilar no cuidado de suporte ao paciente oncológico. A acupuntura, recomendada por diretrizes de oncologia integrativa como a da SIO/ASCO, é uma intervenção segura e eficaz que deve ser integrada à farmacoterapia antiemética padrão.

Este artigo apresenta um protocolo clínico estruturado, com a nomenclatura de pontos padrão no Brasil, para ser implementado na prática clínica.


Estrutura do Protocolo Clínico

O protocolo é desenhado para tratar tanto a manifestação (a náusea) quanto a raiz (a deficiência gerada pela quimioterapia), combinando pontos de ação local e sistêmica.


Grupo 1: Pontos Principais (Foco no Sintoma)

CS6 (Neiguan - Portão Interno): Bilateral.

Localização: A 3 dedos transversos do paciente (2 cun) proximais à prega ventral do punho, entre os tendões dos músculos palmar longo e flexor radial do carpo.

Racional: É o ponto mais importante e com maior evidência científica para o tratamento de qualquer tipo de náusea. Sua estimulação modula diretamente o centro do vômito no sistema nervoso central e, na visão da MTC, subjuga a rebelião do Qi do Estômago.


E36 (Zusanli - Três Milhas do Pé): Bilateral.

Localização: A 4 dedos transversos abaixo do ponto E35 (borda inferior da patela), um dedo lateral à crista anterior da tíbia.

Racional: Fortalece o sistema digestivo, tonifica o Qi e o Sangue e melhora a imunidade. É crucial para dar ao corpo a energia necessária para tolerar a quimioterapia e manter a função digestiva.


Grupo 2: Pontos de Suporte (Harmonização e Tonificação)

VC12 (Zhongwan - Meio do Estômago):

Localização: Na linha média do abdome, a meio caminho entre a base do osso esterno (processo xifoide) e o umbigo.

Racional: É o ponto de Alarme (Mu) do Estômago, atuando diretamente sobre o órgão para harmonizar sua função e aliviar a estagnação no Aquecedor Médio.


R6 (Zhaohai - Mar Luminoso): Bilateral.

Localização: Na depressão imediatamente abaixo da ponta do maléolo medial.

Racional: A quimioterapia é vista como uma "toxina quente" que consome os fluidos corporais (Yin). O R6 é um ponto-chave para nutrir o Yin do corpo, combatendo a secura e o dano constitucional, que são a raiz de muitos efeitos colaterais.


Metodologia: Timing e Técnicas de Estímulo

A eficácia do protocolo é maximizada pela aplicação nos momentos corretos em relação ao ciclo de quimioterapia.


Timing e Frequência:

Profilático Ideal: 1 sessão 24-48 horas antes de cada ciclo de quimioterapia.

Suporte no Dia: 1 sessão imediatamente antes ou após a infusão.

Manejo da Fase Tardia: 1 a 2 sessões nos 3 a 5 dias após a quimioterapia, que é o período de maior incidência da NVIQ tardia (HE et al., 2020).


Técnicas de Estímulo:

Eletroacupuntura: Conexão de um estimulador elétrico com onda contínua de baixa frequência (2-10 Hz) nos pares de pontos CS6 e/ou E36 bilaterais. A intensidade deve ser forte, mas confortável. É a modalidade com melhores resultados em ensaios clínicos.

Acupuntura Manual: Inserção de agulhas (ex: 0.25x30mm) com manipulação a cada 10 minutos para evocar o Deqi.

Acupressão: O ensino da aut-aplicação de pressão no ponto CS6 é uma ferramenta de empoderamento para o paciente. Instrua-o a pressionar firmemente o ponto por 2-3 minutos sempre que sentir o início da náusea.


Conclusão

Este protocolo oferece uma abordagem robusta e baseada em evidências para integrar a acupuntura ao cuidado do paciente oncológico. A combinação de pontos para tratar a náusea aguda (CS6), fortalecer a constituição (E36), harmonizar o órgão (VC12) e proteger contra o dano a longo prazo (R6) representa uma estratégia terapêutica completa e verdadeiramente integrativa.


Referências bibliográficas:

  1. HE, Y. et al. Clinical Practice Guidelines on the Use of Integrative Therapies as Supportive Care in Patients Treated for Cancer. Journal of the National Cancer Institute Monographs, v. 2020, n. 55, p. 98-121, Nov. 2020.

  2. MACIOCIA, G. Os Fundamentos da Medicina Chinesa: Um texto abrangente para acupunturistas e fitoterapeutas. 2. ed. São Paulo: Roca, 2007.

  3. FOCKS, C.; MÄRKL, U. Atlas de Acupuntura: com pontos de gatilho, pontos de acupressura e anatomia. 2. ed. Barueri: Manole, 2010.

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