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Pontos gatilhos miofasciais - esplênio do pescoço

Pontos gatilhos miofasciais - esplênio do pescoço


Aspectos anatômicos relevantes

Figura 1 - localização anatômica do esplênio do pescoço. Adaptado de: Irnich D. Myofascial Trigger Points. Comprehensive diagnosis and treatment. Churchill Livingstone. 2013.


Inervação: ramos posteriores dos nervos cervicais.

Origem: processo espinhoso de T3-T6 incluindo os ligamentos supraespinhosos.

Inserção: tubérculo posterior do processo transverso de C2–C1 (C3).

Função:

Ação unilateral: inclinação lateral, rotação da coluna cervical para o mesmo lado.

Ação bilateral: extensão da coluna cervical.


Sintomas associados ao ponto gatilho miofascial

Figura 2 - localização dos pontos gatilhos miofasciais do esplênio do pescoço.


  • Dor profunda e difusa no crânio que se irradia da parte posterior da cabeça, às vezes para a parte posterior dos olhos.

  • Visão turva de um lado.

  • Menos comumente, irradiação da dor para a região dos ombros/pescoço.


Pontos gatilhos e seus pontos de acupuntura correspondentes

Pontos gatilhos

Localização

Dor referida

Pontos de acupuntura

​1

Paravertebralmente ao nível do processo espinhoso em C3/C4

Em forma de anel ou difusamente sobre o crânio, ao nível dos olhos, particularmente atrás do globo ocular

2

Paravertebralmente ao nível do processo espinhoso em C7

Ângulo do ombro e pescoço abaixo do meio da parte descendente do músculo trapézio


Avaliação clínica

Na anamnese deve ser questionado ao paciente se apresenta tensão aguda ou repetitiva, especialmente quando está sentado ou trabalhando. Vale a pena verificar se tem histórico de trauma ou exposição ao frio ou corrente de ar. Quando há presença de dor crõnica, vale a pena fazer uma avaliação psicológica cuidadosa, incluindo sua relação com sua atividade profissional, presença de fatores estressantes, e relacionamentos.

Na inspeção, é importante verificar protração da cabeça, problemas posturais e assimetria.

Ao exame ísico, pode estar presente a limitação do movimento associada à dor, especialmente com rotação em flexão máxima. Pode ocorrer a limitação da mobilidade da coluna cervical durante a flexão.Durante o teste de rolamento da pele, o teste de Kibler pode estar presente.

Na palpação, é importante identificar o músculo esplênio do pescoçom que localiza-se sob o trapézio e o elevador da escápula.

  • Os pontos gatilhos superiores podem ser palpados entre o músculo trapézio e o músculo levantador da escápula, diretamente atrás dos processos transversos em C3 e C4; durante isso, a coluna cervical deve ser inclinada para o lado examinado para relaxar o músculo trapézio e o levantador da escápula ficam para o lado;

  • Os pontos gatilhos inferiores podem ser palpados através do músculo trapézio sobrejacente. Ao pré-tensionar o músculo esplênio do pescoço (leve flexão e rotação para o lado oposto), as bandas tensas miofasciais são mais facilmente palpáveis.

  • Sempre examinar também o levantador da escápula, o esternocleidomastóideo e os músculos profundos do pescoço.


Considerações sobre o músculo esplênio do pescoço

Frequentemente co-ativado com lesões cervicais; examinar também, especialmente onde há distúrbio visual difuso e mutável. Os músculos suboccipitais também podem ser afetados se houver dor retro-orbital.


Abordagem terapêutica não invasiva

O tratamento da parte inferior do músculo através da parte descendente e transversa do músculo trapézio e o tratamento da parte superior do músculo abaixo ou atrás do músculo esternocleidomastóideo. Utilizar a técnica de separação da fáscia entre os músculos esplênio da cabeça e trapézio.


Alongamento

Figura 3 - realização do alongamento para o músculo esplênio do pescoço. Adaptado de: Irnich D. Myofascial Trigger Points. Comprehensive diagnosis and treatment. Churchill Livingstone. 2013


Semelhante ao realizado para o músculo esplênio da cabeça.

O paciente deve ser posicionado sentado, com o terapeuta atrás. A posição da cabeça deve estar em máxima flexão, rotação e inclinação lateral da coluna cervical para o lado oposto. A mão do terapeuta fica na parte superior do ombro. Deve ser exercida uma leve pressão contra a direção do movimento com a outra mão na região parieto-occipital.


Procedimentos de fisioterapia

Uso de compressas e/ou almofadas aquecidas.


Técnicas de infiltração

Figura 4 - técnica de infiltração dos pontos gatilhos do músculo esplênio do pescoço. Adaptado de: Irnich D. Myofascial Trigger Points. Comprehensive diagnosis and treatment. Churchill Livingstone. 2013


O paciente pode ser colocado em decúbito ventral, neste caso, a injeção deve ser vertical aproximadamente 2,5 dedos de largura lateralmente ao processo espinhoso. Esta técnica pode ser facilmente usada para tratar pontos gatilhos mais superficiais na área da coluna cervical superior e média. Os pontos mais profundos podem ser tratados no decúbito lateral com um travesseiro sob a cabeça.

Pontos gatilhos miofasciais superiores:

  • Injeção dorsal aos processos transversos C3 ou C4,

  • Direcionar a agulha da direção lateral para medial em forma de leque usando a palpação pela outra mão no plano frontal,

  • Comprimento da agulha: 4–5 cm,

  • Conforme avanço, podem ser infiltrados os pontos gatilhos do levantador da escápula.

Pontos gatilhos miofasciais inferiores:

  • Análogo ao agulhamento para os pontos gatilhos miofasciais superiores,

  • Injeção dorsal ao processo transverso de C7,

  • Conduzir a agulha através do músculo trapézio,

  • O agulhamento no plano frontal é mais seguro em relação ao pneumotórax. No entanto, também é possível agulhar na direção dorsal (injeção aproximadamente 3 dedos de largura lateral ao processo espinhoso de C7) em direção anterior ou medial à lâmina de C7,

  • Comprimento da agulha: aproximadamente 5 cm.

Figura 5 - A. Imagem axial de ressonância magnética ponderado em T1 no nível das vértebras C5. Demonstrados os músculos esplênio do pescoço (azul), levantador da escápula (3) e esplênio da cabeça (7). B Imagem ultrassonográfica entre os processos espinhosos de C4 e C5. Demonstrados os músculos esplênio do pescoço (azul), levantador da escápula (3) e esplênio da cabeça (7). Adaptado de: Brumpt E, Aubry S, Vuillier F, Tatu L. Anatomo-sonographic identification of the longissimus capitis and splenius cervicis muscles: principles for possible application to ultrasound-guided botulinum toxin injections in cervical dystonia. Surg Radiol Anat. 2021 Jun;43(6):909-915. doi: 10.1007/s00276-020-02646-w.


A realização da técnica de infiltração guiada por ultrassonografia pode ser realizada, conforme referências da Figura 5.


Uso das técnicas de acupuntura para o tratamento dos pontos gatilhos miofasciais


Acupuntura Chinesa Clássica

Pontos locais e locorregionais (também contralaterais): B11, pontos Ashi superficiais no segmento (técnica Very Point de Gleditsch).

Pontos de controle/pontos sintomáticos: F3, E36.


Técnicas de microsistema

Auriculoterapia: coluna vertebral, gânglios simpáticos, Shenmen, ponto Jérôme; pontos sensíveis à pressão em direção à hélice próximos à área de representação da coluna cervical na margem da antélice.

YNSA: Área A e/ou B dos pontos básicos.

Linha da mão V: área no quinto metacarpo, entre ID2 e ID3.


Técnica de Kiiko Matsumoto

Um ou dois pontos no meridiano do Fígado, na face medial da coxa, para aliviar a sensibilidade no pescoço, na área do músculo; localização: linha imaginária no meridiano do fígado entre F8 e F11, dividir o corte em três; o 'ponto do olho de Hashimoto' fica no terço distal ao F11 e um terço proximal ao F8. Esses pontos devem ser palpados na face medial da coxa em direção ao meridiano do Baço e do Estômago (de medial para ventral); um ponto sensível deve estar correlacionado com os sintomas.

O tratamento conhecido ‘artéria basilar’: agulhamento ventralmente de F8, R10 e TA9 no lado afetado, dorsalmente B60 (contra o fluxo do meridiano), B58 e B40 (na direção do fluxo do meridiano).


Tratamento psicológico e técnicas de relaxamento

Técnicas para controle da ansiedade e do estresse (profissional e nos relacionados).


Técnicas para autocuidados


Auto-alongamento

Figura 6 - técnica de auto-alongamento do músculo esplênio do pescoço. Adaptado de: Irnich D. Myofascial Trigger Points. Comprehensive diagnosis and treatment. Churchill Livingstone. 2013


Flexão máxima da coluna cervical, inclinação lateral e rotação para o outro lado.

Segurar a cabeça com a mão pelo lado não afetado e, se necessário, use a respiração e o relaxamento pós-isométrico para estender ainda mais na direção da rotação (olhar na direção da axila).

Certificar-se de que os ombros não estão levantados e, se necessário, segurar-se na cadeira ou no sofá usando a mão do lado a ser estendido.


Medidas adicionais

Os pontos gatilhos miofasciais podem ser comprimidos colocando-os sobre uma bola de tênis em ambos os lados dos processos espinhosos relevantes.

Colocar compressas de água quente no pescoço, preferencialmente flexionado ao máximo ou use compressas quentes e úmidas.

Usar um lenço e/ou cachecol.

Realizar as mesmas recomendações para o músculo esplênio da cabeça.


Referências bibliográficas:

  1. Brumpt E, Aubry S, Vuillier F, Tatu L. Anatomo-sonographic identification of the longissimus capitis and splenius cervicis muscles: principles for possible application to ultrasound-guided botulinum toxin injections in cervical dystonia. Surg Radiol Anat. 2021 Jun;43(6):909-915. doi: 10.1007/s00276-020-02646-w.

  2. Hammi C, Schroeder JD, Yeung B. Trigger Point Injection. [Updated 2022 Nov 25]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK542196/

  3. Irnich D. Myofascial Trigger Points. Comprehensive diagnosis and treatment. Churchill Livingstone. 2013

  4. Urits, I., Charipova, K., Gress, K., Schaaf, A. L., Gupta, S., Kiernan, H. C., … Viswanath, O. (2020). Treatment and Management of Myofascial Pain Syndrome. Best Practice & Research Clinical Anaesthesiology. doi:10.1016/j.bpa.2020.08.003.

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