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A Neuro-Regulação do Eixo Cérebro-Corpo: O Impacto da Acupuntura nos Sistemas Límbico e Autônomo

  • Foto do escritor: Dr. Sergio Akira Horita
    Dr. Sergio Akira Horita
  • 6 de nov.
  • 3 min de leitura
Pessoa em estado de meditação serena, representando o reequilíbrio do sistema nervoso autônomo e a calma do sistema límbico promovidos pela acupuntura no tratamento do estresse e da ansiedade.

Além de sua consagrada eficácia no controle da dor, a acupuntura exerce uma profunda influência regulatória sobre o Sistema Nervoso Autônomo (SNA) e o Sistema Límbico. Este efeito é a base neurofisiológica para seu uso bem-sucedido no tratamento de condições como ansiedade, estresse crônico, insônia e distúrbios funcionais. A técnica atua como um "neuromodulador", reequilibrando a dinâmica entre as respostas de "luta ou fuga" e "repouso e digestão".


O Desequilíbrio Autonômico no Estresse Crônico

O SNA é dividido em dois ramos principais: o simpático, que governa as respostas de alerta e gasto energético (luta ou fuga), e o parassimpático, que promove o relaxamento, a conservação de energia e a digestão. Em um estado de saúde, esses dois sistemas operam em um equilíbrio dinâmico.

No entanto, o estresse crônico moderno leva a um estado de dominância simpática, caracterizado por frequência cardíaca e pressão arterial elevadas, tensão muscular, digestão prejudicada e um estado de alerta mental constante. Clinicamente, um marcador importante deste estado é a baixa Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC), que indica pouca adaptabilidade do sistema parassimpático (nervo vago).


Ação da Acupuntura no Sistema Nervoso Autônomo

A acupuntura modula diretamente este equilíbrio. A estimulação de aferentes somatossensoriais (principalmente fibras A-delta e C) em acupontos específicos (como PC6, HT7, Yintang e pontos auriculares) envia sinais para núcleos-chave no tronco cerebral, como o Núcleo do Trato Solitário (NTS). O NTS é um centro integrador vital para o controle autonômico.

A ativação do NTS pela acupuntura resulta em:

  • Inibição do Tônus Simpático: Há uma redução na descarga de neurônios simpáticos pré-ganglionares, levando à diminuição da frequência cardíaca, relaxamento dos vasos sanguíneos (redução da pressão arterial) e diminuição da sudorese.

  • Aumento do Tônus Vagal (Parassimpático): A estimulação vagal aferente e a subsequente resposta eferente são potencializadas. Isso é objetivamente mensurável pelo aumento da VFC, indicando que o coração está se tornando mais resiliente e adaptável, um sinal clássico de relaxamento e recuperação.


Modulação do Sistema Límbico e do Eixo HPA

O efeito ansiolítico da acupuntura não se restringe ao SNA; ele alcança o coração do processamento emocional do cérebro: o Sistema Límbico. Estudos de neuroimagem funcional (fMRI), notadamente os trabalhos de Kathleen Hui, demonstraram que a acupuntura promove uma "desativação" de áreas límbicas e paralímbicas que estão hiperativas em estados de ansiedade e estresse.

As principais estruturas moduladas são:

  • Amígdala e Hipocampo: A acupuntura demonstrou reduzir a atividade da amígdala, o centro do medo e da resposta à ameaça, e modular a função do hipocampo, crucial para a consolidação da memória e regulação do estresse.

  • Córtex Cingulado Anterior e Ínsula: Essas áreas, que integram os componentes emocionais e cognitivos da dor e da ansiedade, também mostram atividade reduzida durante a acupuntura.

Essa modulação límbica impacta diretamente o Eixo Hipotálamo-Pituitária-Adrenal (HPA), o principal sistema neuroendócrino de resposta ao estresse. A acupuntura ajuda a normalizar um eixo HPA disfuncional, reduzindo a liberação excessiva de cortisol, o "hormônio do estresse", contribuindo para um estado de calma mais sustentado.


Integração Clínica: Da Neuromodulação ao Bem-Estar

Em resumo, a acupuntura promove um efeito ansiolítico robusto e multifacetado:

  • Perifericamente, "desliga" a resposta de luta ou fuga.

  • Centralmente, "acalma" os centros emocionais do cérebro e regula a produção de hormônios do estresse.


Este modelo integrativo fornece um forte racional científico para a aplicação da acupuntura como uma terapia primária ou adjuvante no manejo de todo o espectro de distúrbios relacionados ao estresse, promovendo um reequilíbrio profundo no eixo cérebro-corpo.


Referências

  1. CHAE, Y. et al. Effect of acupuncture on the brain in the treatment of stress. CNS Neuroscience & Therapeutics, v. 19, n. 4, p. 235-241, 2013.

  2. HUI, K. K. S. et al. Acupuncture, the limbic system, and the anticorrelated networks of the brain. Autonomic Neuroscience, v. 157, n. 1-2, p. 81-90, 2010.

  3. LI, Q. Q. et al. A review on the research of the effect of acupuncture on autonomic nervous system. Acupuncture Research, v. 38, n. 6, p. 493-497, 2013.

  4. SAMUELS, N. Acupuncture for depression: a review of the clinical evidence. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2011, Article ID 879673, 11 p., 2011.

  5. WANG, S. M.; KAIN, Z. N.; WHITE, P. Acupuncture analgesia: I. The scientific basis. Anesthesia & Analgesia, v. 106, n. 2, p. 602-610, 2008.

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